Edgar Pêra: O que entendes por resumo?
CINE-TUGA: Um sumário?…
Edgar Pêra: É um raio de um problema sumariar um filme.
CINE-TUGA(insistente): Mas a história como é?
Edgar Pêra (insidioso): É um raio de um problema. Como resumirias tu?
CINE-TUGA: Fácil. Um Topógrafo (Nuno Melo) chega à margem de um rio onde os homens destroem a paisagem onde se irá erguer “o maior aeroporto da Europa”. Naquele mundo de homens sem ilusões vive Leonor (Teresa Salgueiro), a “Flôr-do-Pântano”, a protegida do socrático Director (José Wallenstein) que, com Platão, o seu bode de estimação, dirige as invisíveis obras.
Edgar Pêra (exasperado): Isso é apenas o pano de fundo onde o filme se projecta.
CINE-TUGA: Mas podes dizer-nos sobre o que se trata?
Edgar Pêra: Trata de um certo desprendimento da realidade.
CINE-TUGA: De que realidade?
Edgar Pêra: Tanto o conto de Branquinho da Fonseca como o filme tratam de um certo desprendimento da realidade, que todos conhecemos em maior ou menor grau.
CINE-TUGA: Então podia ser em qualquer altura…
Edgar Pêra: Exacto! E em qualquer lugar, ou pelo menos num certo tipo de lugares.
CINE-TUGA: Isso também te permitiu outra liberdade ao adaptar o conto?
Edgar Pêra: Sim, nos anos 40 já se falava na construção do “maior aeroporto da europa.” Não foi preciso actualizar a narrativa do Branquinho.
CINE-TUGA: É um filme romântico e bizarro? (desconfiado)
Edgar Pêra: Diz-me tu.
CINE-TUGA (muito assertivo): Pois!
Edgar Pêra: Também é musical. São os trabalhadores que fornecem a mão de obra sonora: as guitarradas dos Dead Combo e de José Pracana, os fados de Ricardo Ribeiro e do Manuel João Vieira e a bossa nova do JP Simões. E a voz da Teresa, claro. Como definirias então o filme?
CINE-TUGA: Uma cine-badalada neo-platónica!
Edgar Pêra: Isso é um slogan.
