CINE-TUGA: O director das obras do aeroporto (José Wallenstein) tem uma fixação bizarra no bode Platão. Rio turvo é um filme de sexualidades desviantes?
Edgar Pêra: É um filme à antiga. Nem pinga de sangue, nem de sexo.
CINE-TUGA: Mas promete-se.
Edgar Pêra: Muito.
CINE-TUGA: Um país de promessas pede um filme de desejos e frustrações?
Edgar Pêra: Não faço ideia. Mas não tive qualquer intenção de exibir graficamente esses desejos. Mostrar sim, as angústias de não ver uma promessa cumprida.
CINE-TUGA: Quase parece um statement político: promessas não cumpridas…
Edgar Pêra: Mas não estou a falar de eleiçoes! Rio Turvo é um filme sem qualquer tipo de pretensão moralizante.
CINE-TUGA (sardónico): Independente e desalinhado como o Branquinho da Fonseca?
Edgar Pêra (estóico): Quando se fala do “maior aeroporto da Europa” só se pode estar a falar de um país pequeno. Branquinho da Fonseca ia directo aos assuntos sem doutrinar.
CINE-TUGA: Mas todo filme parece girar em torno de coisas invisíveis. As obras, os amores… É um filme sobre a invisbilidade? (petulante)
Edgar Pêra (esfíngico) : Quase. Mas trabalhar sem contrato já era uma realidade nos anos quarenta. E também era sobre isso que ele escrevia. O que não quer dizer de forma alguma que o Branquinho Fonseca fosse um neo-realista. Nem neo-surrealista.
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Tuesday, March 27, 2007
Thursday, March 15, 2007
POST-PLATÓNICO
CINE-TUGA entrevista Edgar Pêra
Parte zero
Ciine-Tuga: No conto de Branquinho da Fonseca, o bode chama-se Sócrates. Porque é que mudaste o nome para Platão ?
Edgar Pêra- O que o me interessou no conto do Branquinho da Fonseca foi a possibilidade de imaginar aquela história em qualquer época. Para evitar que houvesse qualquer tipo de confusão com os tempos de hoje, o bode passou a chamar-se Platão.
E Platão sempre tem um ditongo, é uma palavra tipicamente portuguesa. E Portugal é um país quase platónico.
Ciine-Tuga: Mas o destino de Sócrates e Platão é bem diferente. Não te parece que estás a deturpar o sentido original do conto, ou pelo menos de uma parte altamente simbólica do conto?
Edgar Pêra - Acho que saber como morreu uma figura mítica não é importante para um filme. Sabemos que Platão existiu. Quanto a Sócrates ainda não sabemos. (risos) Mas a figura do bode é capital para o filme. Houve outras cenas com o bode que até foram acrescentadas, nem sequer figuravam no conto. Por outro lado, como os diálogos no livro são escassos, recorri frequentemente aos Diálogos Sobre a Justiça de Platão. Pode dizer-se também que é um filme quasi-platónico. Assim como o aeroporto que se pretende construir. Quer no filme quer no conto.
Parte zero
Ciine-Tuga: No conto de Branquinho da Fonseca, o bode chama-se Sócrates. Porque é que mudaste o nome para Platão ?
Edgar Pêra- O que o me interessou no conto do Branquinho da Fonseca foi a possibilidade de imaginar aquela história em qualquer época. Para evitar que houvesse qualquer tipo de confusão com os tempos de hoje, o bode passou a chamar-se Platão.
E Platão sempre tem um ditongo, é uma palavra tipicamente portuguesa. E Portugal é um país quase platónico.
Ciine-Tuga: Mas o destino de Sócrates e Platão é bem diferente. Não te parece que estás a deturpar o sentido original do conto, ou pelo menos de uma parte altamente simbólica do conto?
Edgar Pêra - Acho que saber como morreu uma figura mítica não é importante para um filme. Sabemos que Platão existiu. Quanto a Sócrates ainda não sabemos. (risos) Mas a figura do bode é capital para o filme. Houve outras cenas com o bode que até foram acrescentadas, nem sequer figuravam no conto. Por outro lado, como os diálogos no livro são escassos, recorri frequentemente aos Diálogos Sobre a Justiça de Platão. Pode dizer-se também que é um filme quasi-platónico. Assim como o aeroporto que se pretende construir. Quer no filme quer no conto.
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