CINE-TUGA (armadilhado) : Achas que Rio Turvo é um filme para todos os públicos?
Edgar Pêra: Não sei se isso existe. Geralmente não vejo esses filmes, logo não são para todos. Logo, não existem filmes para todos. Mas também nunca fiz um filme a pensar que estava a rejeitar algum “género” de espectador. Se um pintor não fôr figurativo não quer dizer que esteja a rejeitar o público. O cinema tem mais dificuldade em afirmar-se fora da ilustração narrativa.
CINE-TUGA: É um filme difícil?
Edgar Pêra: De fazer.
CINE-TUGA (jornalístico): Como foi a rodagem de Rio Turvo?
Edgar Pêra: Cheia de moscas, melgas e mosquitos.
CINE-TUGA: Quanto tempo durou? etc…
Edgar Pêra: Três semanas. O Luís Branquinho dirigiu uma equipa de estagiários de imagem da Universidade Lusófona. O som foi captado por finalistas da Escola de Cinema.
CINE-TUGA: Houve um conflito entre metodologias das diferentes escolas?
Edgar Pêra: Não. Antes pelo contrário, complementaram-se. Mas digamos que a minha metodologia causa sempre alguns problemas à produção. Tomo decisões em cima do momento, que alteram o mapa de trabalho.
CINE-TUGA (condescendente): Pois…
Edgar Pêra: Mas nada que se compare com outros filmes. Este teve realmente um mapa por onde nos podíamos orientar. Graças ao conto….
CINE-TUGA (professoral): Qual a função da topografia no filme?
Edgar Pêra (pragmático): Relativa. Recorremos a material quase de museu, cedido pelo departamento topográfico da Cãmara da Azambuja, e o responsável pelo departamaento acompanhou o início das rodagens de forma a que o Nuno melo soubesse manipular o teodolito e dar instruções aos apontadores.
CINE-TUGA: Teodolito? ( pensamento tuga: Isso mais parece uma canção suíça…e começa a cantarolar mentalmente “ teodoli-I-ô!…..”)
Edgar Pêra: Teodoloito, instrumento de medição mecânico-óptico. Estranho é que não dei conta de imediato que o teodolito é como se fosse uma câmara, logo o protagonista é uma espécie de homem-câmara.
CINE-TUGA: Consta que houve uma certa rivalidade entre o Nuno Melo e o teodolito (sorriso gozão).
Edgar Pêra (disfarçando uma gargalhada): O Nuno não estava interessado numa representação baseada na profissão da personagem. Em última análise, nem sequer sabemos se o protagonista do filme foi topógrafo. O seu passado é bastante mais misterioso do que no conto. E daí talvez não.
CINE-TUGA: Mais uma traição é tradição…
Edgar Pêra (ignorando-o olimpicamente): De toda a investigação para os comportamentos e diálogos topográficos sobrou apenas uma expressão curiosa: “Verticaliza!”
Showing posts with label Valada do Ribatejo. Show all posts
Showing posts with label Valada do Ribatejo. Show all posts
Friday, March 30, 2007
Thursday, March 22, 2007
POST-NATURAL
CINE-TUGA: Os cenários do filme são uma mais valias do filme.
Edgar Pêra: Isso seria se encarrasse o filme como um produto. O que é para ti mais-valia?
CINE-TUGA: Um bónus especial, sem ter de pagar mais.
Edgar Pêra (a dar para o arrogante): A beleza dos cenários é uma perigosa armadilha. Fica-se refém da sua beleza. Foi talvez por isso que filmei as paisagens como se fossem rostos e os rostos como se fossem paisagens.
CINE-TUGA(abanando o leque): Isso soa-me a cliché
Edgar Pêra: Também a mim. O que quero dizer com isso é que procurei um certo grau de abstração durante a rodagem daqueles cenários de forma a que pertencessem a um todo.
CINE-TUGA(infantiloide): Intermutáveis como no Lego?
Edgar Pêra: Básico. O que é curioso é que toda a história se passa a pouco mais de 50 kms daqui e por vezes perguntam-me se foi filmado em África ou no Brasil. Até já evocaram o Vietname (sorriso apokaliptiko).
CINE-TUGA: Como foram construído os cenários?
Edgar Pêra: Ao sabor do vento. Como tínhamos meios escassíssimos o Miguel Figueiredo tive de inventar do nada. Chegámos ao limite extremo de às duas da manhã decidrmos alterar por completo o cenário do dia seguinte. Aquela cantina foi concebida e construída em menos de três horas.
CINE-TUGA: Isso não é uma desculpa?
Edgar Pêra: Desculpa? Desculpa, não percebi.
CINE-TUGA: Uma desculpa para o filme.
Edgar Pêra: A cantina também era dada como provisória no conto!
CINE-TUGA: Mas se todo filme foi feito a esse ritmo…
Edgar Pêra: É mais um sinal de desafio. E eu e as pessoas (amigos) que trabalham comigo gostamos de desafios. Fazer no momento. Perfeito para um páis eternamente provisório.
CINE-TUGA: Estás a citar o Branquinho da Fonseca?
Edgar Pêra: Quase.
Edgar Pêra: Isso seria se encarrasse o filme como um produto. O que é para ti mais-valia?
CINE-TUGA: Um bónus especial, sem ter de pagar mais.
Edgar Pêra (a dar para o arrogante): A beleza dos cenários é uma perigosa armadilha. Fica-se refém da sua beleza. Foi talvez por isso que filmei as paisagens como se fossem rostos e os rostos como se fossem paisagens.
CINE-TUGA(abanando o leque): Isso soa-me a cliché
Edgar Pêra: Também a mim. O que quero dizer com isso é que procurei um certo grau de abstração durante a rodagem daqueles cenários de forma a que pertencessem a um todo.
CINE-TUGA(infantiloide): Intermutáveis como no Lego?
Edgar Pêra: Básico. O que é curioso é que toda a história se passa a pouco mais de 50 kms daqui e por vezes perguntam-me se foi filmado em África ou no Brasil. Até já evocaram o Vietname (sorriso apokaliptiko).
CINE-TUGA: Como foram construído os cenários?
Edgar Pêra: Ao sabor do vento. Como tínhamos meios escassíssimos o Miguel Figueiredo tive de inventar do nada. Chegámos ao limite extremo de às duas da manhã decidrmos alterar por completo o cenário do dia seguinte. Aquela cantina foi concebida e construída em menos de três horas.
CINE-TUGA: Isso não é uma desculpa?
Edgar Pêra: Desculpa? Desculpa, não percebi.
CINE-TUGA: Uma desculpa para o filme.
Edgar Pêra: A cantina também era dada como provisória no conto!
CINE-TUGA: Mas se todo filme foi feito a esse ritmo…
Edgar Pêra: É mais um sinal de desafio. E eu e as pessoas (amigos) que trabalham comigo gostamos de desafios. Fazer no momento. Perfeito para um páis eternamente provisório.
CINE-TUGA: Estás a citar o Branquinho da Fonseca?
Edgar Pêra: Quase.
Labels:
Azambuja,
branquinho da fonseca,
Valada do Ribatejo
Subscribe to:
Comments (Atom)
